Doença de Crohn: diagnóstico, tratamento e acompanhamento em Belo Horizonte

Doença de Crohn: sintomas, diagnóstico, tratamentos atuais e acompanhamento próximo nas crises e na remissão com gastroenterologista em Belo Horizonte.

Revisado por Dra. Luciana Matoso, CRM-MG 63515 | RQE 53135 · Última revisão em 23/09/2026

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal crônica que pode atingir qualquer parte do tubo digestivo, mais frequentemente o final do intestino delgado e o cólon. Causa diarreia, dor abdominal, perda de peso, cansaço e, em alguns casos, fístulas e estreitamentos. Não tem cura definitiva, mas o tratamento atual permite longos períodos de remissão. Em Belo Horizonte, a Dra. Luciana Matoso, especialista em Doenças Inflamatórias Intestinais e membro do GEDIIB, acompanha pacientes com Crohn de perto, nas crises e na remissão.

Uma doença que vai além do intestino

Diarreia que não passa, dor abdominal, cansaço extremo, perda de peso. Períodos em que tudo parece melhorar, seguidos de crises que desorganizam a vida. Para quem convive com a Doença de Crohn, o impacto atinge o trabalho, os estudos, os relacionamentos e a saúde emocional. Por isso, o tratamento precisa olhar para a pessoa inteira, e não apenas para a inflamação.

O que é a Doença de Crohn

É uma doença inflamatória intestinal crônica, em que o sistema imunológico provoca inflamação persistente no tubo digestivo. Resulta da combinação de predisposição genética, alterações da microbiota e fatores ambientais. Suas principais características são:

  • Pode atingir qualquer parte do tubo digestivo, da boca ao ânus, mais comumente o íleo terminal e o cólon.
  • Inflamação profunda, que atinge todas as camadas da parede intestinal.
  • Distribuição em "saltos", com áreas saudáveis entre áreas doentes.
  • Risco de complicações como estreitamentos (estenoses), fístulas e abscessos, inclusive perianais.

Sintomas

  • Diarreia persistente, às vezes com sangue ou muco.
  • Dor abdominal em cólica, frequentemente no lado direito inferior do abdome.
  • Perda de peso e falta de apetite.
  • Cansaço intenso e anemia.
  • Febre baixa nas fases de atividade.
  • Lesões perianais: fissuras, fístulas e abscessos.
  • Aftas e, em crianças e adolescentes, atraso no crescimento.

Manifestações fora do intestino

Dores e inflamação nas articulações, lesões de pele como eritema nodoso, inflamação nos olhos (uveíte e episclerite), cálculos renais e alterações do fígado. Esses sinais fazem parte da doença e precisam ser reconhecidos.

Procure atendimento de urgência se houver dor abdominal forte e contínua, vômitos com distensão e parada de eliminação de gases (possível obstrução), febre alta, sangramento intenso, abscesso perianal doloroso ou sinais de desidratação.

Diagnóstico

Não existe um exame único. O diagnóstico combina história, exames laboratoriais, endoscópicos, histológicos e de imagem:

  • Exames de sangue: hemograma, PCR, VHS, albumina, ferritina, vitamina B12 e vitamina D.
  • Calprotectina fecal: marcador de inflamação intestinal.
  • Exames de fezes: para excluir infecções.
  • Colonoscopia com ileoscopia e biópsias: o exame central.
  • Enterorressonância ou enterotomografia: avaliam o intestino delgado e complicações.
  • Ressonância da pelve: quando há doença perianal.

Investigação clínica aprofundada

  • Histórico clínico: evolução, crises anteriores, cirurgias, histórico familiar de DII.
  • Exames hormonais e laboratoriais: além dos marcadores de inflamação, função da tireoide, ferro e vitaminas; sorologias antes de imunossupressores.
  • Fatores metabólicos: estado nutricional, massa muscular (por bioimpedância) e saúde óssea.
  • Sono: dor noturna e evacuações noturnas prejudicam o descanso e a recuperação.
  • Saúde mental: ansiedade e depressão são mais frequentes em quem convive com DII.
  • Uso de medicamentos: anti-inflamatórios, que podem desencadear crises, e uso prévio de corticoides.
  • Estilo de vida: tabagismo, alimentação e atividade física.
  • Relacionamento: impacto na vida afetiva, sexual e nos planos de gestação.

Tratamento

O objetivo moderno não é só aliviar sintomas, mas alcançar remissão profunda: controle dos sintomas, normalização dos marcadores e cicatrização da mucosa. Essa estratégia de tratamento guiado por metas reduz complicações, internações e cirurgias.

Classe de tratamentoPapel principal
CorticoidesControle de crises, por tempo limitado, nunca como manutenção
ImunossupressoresManutenção da remissão e associação a outras terapias
BiológicosFormas moderadas a graves, bloqueando vias específicas da inflamação
Pequenas moléculas oraisOpções mais recentes para casos selecionados
CirurgiaComplicações como estenoses, fístulas e abscessos, planejada em conjunto com a coloproctologia

Cuidados que fazem parte do tratamento

  • Vacinação e rastreamento de infecções antes de imunossupressores e biológicos.
  • Avaliação nutricional: desnutrição e deficiências são frequentes.
  • Saúde emocional, com apoio da equipe multidisciplinar.
  • Planejamento reprodutivo, com a doença em remissão.
  • Abandono do tabagismo.

Riscos da automedicação e do abandono

Anti-inflamatórios comuns podem desencadear crises. Corticoides repetidos por conta própria mascaram a atividade da doença e acumulam efeitos adversos, como osteoporose, diabetes e infecções. Suspender a medicação ao melhorar é uma das principais causas de recaída. Antidiarreicos em crise com febre e sangue podem ser perigosos.

Limitações do tratamento

Nenhum medicamento funciona para todos, e alguns pacientes precisam de trocas até encontrar a terapia adequada. A resposta pode levar semanas. Mesmo em remissão, o acompanhamento regular é necessário, porque a inflamação pode voltar de forma silenciosa. Sintomas de intestino irritável podem coexistir com Crohn controlado e têm tratamento próprio.

Veja também a página sobre retocolite ulcerativa.

Doença perianal

Em parte dos pacientes, o Crohn atinge a região ao redor do ânus, com fissuras profundas, fístulas (canais anormais que ligam o intestino à pele) e abscessos. São sintomas dolorosos, que afetam sentar, trabalhar e a vida íntima, e que muitas vezes são tratados apenas localmente por meses antes do diagnóstico. A abordagem exige ressonância da pelve, tratamento medicamentoso da inflamação e, com frequência, cuidado conjunto com coloproctologista para drenagem de abscessos e manejo das fístulas.

Alimentação na crise e na remissão

Durante as crises, e principalmente quando há estreitamentos no intestino, pode ser necessário reduzir fibras insolúveis e alimentos de difícil digestão, para evitar obstrução. Em algumas situações, a nutrição enteral, com fórmulas específicas, é usada como parte do tratamento. Na remissão, o objetivo é uma alimentação variada e nutritiva, sem restrições desnecessárias. Deficiências de ferro, vitamina B12, vitamina D, zinco e perda de massa muscular são frequentes e acompanhadas de perto com a nutricionista da equipe.

Crohn e histórico familiar

Existe predisposição genética, e ter parentes com a doença aumenta o risco. Ainda assim, a maioria dos filhos de pessoas com Crohn não desenvolve a doença, porque fatores ambientais e da microbiota também participam.

Atendimento em Belo Horizonte

O acompanhamento é feito no consultório no Bairro de Lourdes ou online, com canal definido para dúvidas nas crises e integração com os serviços que realizam colonoscopia, exames de imagem e infusões.

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Perguntas frequentes

Doença de Crohn tem cura?

Ainda não existe cura definitiva, mas com o tratamento adequado a maioria dos pacientes alcança longos períodos de remissão, com vida plena, incluindo trabalho, estudos, atividade física, viagens e gestação.

Qual a diferença entre Crohn e retocolite?

A retocolite atinge apenas o intestino grosso, de forma contínua a partir do reto e superficial. O Crohn pode atingir qualquer parte do tubo digestivo, em áreas salteadas, com inflamação profunda e risco de estenoses e fístulas.

Existe dieta para Doença de Crohn?

Não existe uma dieta única. A alimentação é ajustada conforme a fase da doença, a presença de estenoses, as deficiências nutricionais e as intolerâncias associadas.

Posso engravidar tendo Crohn?

Sim, na grande maioria dos casos. O ideal é planejar a gestação com a doença em remissão e revisar as medicações previamente.

Fumar piora a Doença de Crohn?

Sim. O tabagismo está associado a mais crises, mais complicações e maior necessidade de cirurgia. Parar de fumar é parte importante do tratamento.

Os medicamentos biológicos são seguros?

São medicamentos eficazes e amplamente utilizados, com perfil de segurança conhecido. Exigem avaliação prévia, vacinação e rastreamento de infecções, além de acompanhamento regular.

Fontes e referências

Dra. Luciana Matoso: formação e credenciais

A Dra. Luciana Matoso é médica gastroenterologista em Belo Horizonte, com mais de 10 anos de formação e atuação em Gastroenterologia, Nutrologia e Clínica Médica. Sua prática é dedicada à saúde intestinal, à saúde da mulher e ao tratamento do sobrepeso e da obesidade, com acompanhamento multidisciplinar coordenado.

  • Medicina pelo Centro Universitário de Belo Horizonte.
  • Residência em Clínica Médica pelo Hospital Mater Dei e em Gastroenterologia pelo Hospital Life Center, com título pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).
  • Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN e em distúrbios intestinais, eixo cérebro-intestino e manometria pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
  • Especialização em Doenças Inflamatórias Intestinais pela Solare EducaHub. Membro do GEDIIB e do Instituto Brasileiro para Estudo da Doença Celíaca.
  • CRM-MG 63515 | RQE 53135 (Gastroenterologia).

Todo o conteúdo desta página foi revisado e aprovado pela Dra. Luciana Matoso. As informações têm finalidade exclusivamente educativa e não substituem uma avaliação médica individualizada.

Se você apresenta os sintomas descritos nesta página, procure um médico para avaliação individualizada. Em caso de dor intensa, sangramento, febre alta ou piora rápida do quadro, procure atendimento de urgência ou emergência. As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica ou diagnóstico individualizado. Não inicie, suspenda ou altere tratamentos sem orientação profissional.

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