O que é intolerância à lactose
A lactose é o principal açúcar do leite. Para ser absorvida, precisa ser quebrada pela lactase, uma enzima produzida no intestino delgado. Quando a produção de lactase é baixa, parte da lactose não é digerida, segue para o intestino grosso e é fermentada pelas bactérias, gerando gases e atraindo água para o intestino. Daí vêm os sintomas.
É importante separar dois conceitos: a má absorção de lactose, que é a redução da enzima, e a intolerância, que é quando essa má absorção causa sintomas. Muitas pessoas têm menos lactase e não sentem nada, e não precisam mudar a alimentação.
Tipos de intolerância à lactose
Primária (hipolactasia do adulto)
É a forma mais comum. Depois da infância, a produção de lactase diminui naturalmente em grande parte da população mundial, e isso é frequente no Brasil. Os sintomas costumam aparecer na adolescência ou vida adulta e se instalam de forma gradual.
Secundária
Surge quando outra condição lesa o intestino delgado e reduz a lactase: infecções intestinais, doença celíaca, Doença de Crohn, SIBO, uso de alguns medicamentos e quimioterapia. Tratando a causa, a intolerância pode regredir.
Congênita
Muito rara, presente desde o nascimento e diagnosticada na infância.
Sintomas
- Gases e flatulência após consumir leite e derivados.
- Distensão abdominal e sensação de barriga cheia.
- Cólica e ruídos intestinais.
- Diarreia ou fezes amolecidas.
- Náusea, em alguns casos.
Os sintomas surgem, em geral, de 30 minutos a algumas horas após o consumo e são proporcionais à quantidade. Um copo grande de leite em jejum provoca mais sintomas que um pedaço de queijo em uma refeição completa.
Diagnóstico
O exame de escolha é o teste respiratório com lactose, realizado no consultório em Belo Horizonte. O paciente ingere uma dose padronizada de lactose e sopra em tubos coletores por cerca de 3 horas, enquanto os sintomas são registrados. Outra opção em alguns casos é o teste genético, que mostra a predisposição à hipolactasia, mas não indica se há sintomas.
Investigação clínica aprofundada
- Histórico clínico: idade de início, gatilhos como infecções, relação com quantidade de laticínios.
- Exames hormonais e laboratoriais: sorologia para doença celíaca, hemograma, ferritina, cálcio e vitamina D.
- Fatores metabólicos: saúde óssea, especialmente em mulheres e após a menopausa.
- Sono e saúde mental: ansiedade e intestino irritável ampliam a percepção dos sintomas.
- Uso de medicamentos: alguns remédios contêm lactose como excipiente e podem causar sintomas em pessoas sensíveis.
- Estilo de vida: hábitos alimentares, consumo de industrializados e refeições fora de casa.
- Relacionamento: impacto nas refeições em família e em eventos sociais.
Diarreia com sangue, perda de peso, anemia, febre ou sintomas noturnos não são típicos de intolerância à lactose. Nesses casos, é preciso investigar outras causas, como doença inflamatória intestinal ou doença celíaca.
Tratamento
- Descobrir o limite tolerado: a maioria dos adultos tolera cerca de 12 gramas de lactose por vez, o equivalente a um copo de leite, especialmente junto com outras refeições.
- Preferir derivados com menos lactose: queijos curados e iogurtes.
- Usar a enzima lactase antes de refeições com laticínios, quando útil.
- Produtos sem lactose como alternativa, não como obrigação.
- Garantir cálcio e vitamina D por outras fontes quando o consumo de laticínios é reduzido.
- Tratar a causa quando a intolerância é secundária.
| Alimento | Teor de lactose | Tolerância habitual |
|---|---|---|
| Leite integral ou desnatado | Alto | Porções pequenas, com refeição |
| Iogurte natural | Moderado | Geralmente bem tolerado |
| Queijos curados (parmesão, muçarela) | Baixo | Bem tolerados |
| Requeijão, sorvete, leite condensado | Moderado a alto | Com cautela |
Riscos da automedicação e da exclusão total
Cortar todos os laticínios por conta própria é comum e costuma ser desnecessário. O risco é reduzir a ingestão de cálcio e proteína, com impacto na saúde óssea, e deixar passar outra doença que se manifesta de forma parecida, como a doença celíaca ou a síndrome do intestino irritável. Também é frequente atribuir à lactose sintomas causados por outros carboidratos, como frutanos e polióis.
Limitações do tratamento
Na forma primária, a produção de lactase não volta ao normal. O tratamento não "cura", mas permite conviver bem com os laticínios na medida certa. Quando os sintomas persistem mesmo com ajuste, a investigação deve ser ampliada para outras intolerâncias, SIBO ou intestino irritável.
Lactose escondida
A lactose não está só no leite. Ela aparece em pães, bolos, biscoitos, embutidos, molhos prontos, sopas em pó, chocolates e produtos com "soro de leite" ou "leite em pó" na lista de ingredientes. Também é usada como excipiente em alguns medicamentos e suplementos. Em geral, as quantidades são pequenas e não causam sintomas, mas em pessoas mais sensíveis, a soma ao longo do dia pode fazer diferença. Ler rótulos ajuda a entender reações que parecem sem explicação.
Intolerância à lactose não é alergia à proteína do leite
A alergia à proteína do leite de vaca é uma reação do sistema imune às proteínas do leite, e não ao açúcar. É mais comum em bebês e crianças, pode causar sintomas de pele, respiratórios e digestivos, e exige retirada completa do leite e derivados, inclusive os sem lactose. Já a intolerância à lactose é digestiva, depende da quantidade e permite o consumo de produtos sem lactose e queijos curados. Confundir as duas leva a restrições erradas nos dois sentidos.
Intolerância à lactose e intestino irritável
Pessoas com síndrome do intestino irritável costumam sentir mais os efeitos da lactose, mesmo em pequenas doses, por causa da sensibilidade aumentada. Nesses casos, o controle dos sintomas envolve tanto o ajuste da lactose quanto o tratamento da sensibilidade intestinal.
Atendimento em Belo Horizonte
O teste respiratório com lactose é realizado no consultório no Bairro de Lourdes, com orientações de preparo enviadas no agendamento.
Suspeita de intolerância à lactose? Confirme o diagnóstico com teste respiratório em Belo Horizonte.
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